Você sabia que a causa da Osteoporose pode estar nos rins?

A renomada Nefrologista, Vera Tostes, nossa cliente CONSULTARE, escreveu detalhadamente sobre o tema. Veja a seguir:
A osteoporose é o distúrbio no qual há redução da massa mineral, tanto do osso cortical quanto trabecular, levando a uma redução da densidade do osso, tornando- o mais frágil e menos resistente aos traumas mecânicos do dia a dia. Geralmente a é pouco sintomática e muitas vezes se manifesta por uma fratura.
Vários fatores podem aumentar o risco de osteoporose, como o estilo de vida, medicamentos e doenças.
Com relação ao Estilo de vida podemos ressaltar: Sexo feminino; Caucasianos (raça branca) e asiáticos; Baixa estatura e baixo peso; História familiar de osteoporose; Menopausa; Sedentarismo; Baixa exposição solar; Baixa ingestão de cálcio e vitamina D; Tabagismo; Consumo de bebidas alcoólicas; Consumo elevado de refrigerantes
Dentre os Medicamentos, a osteoporose está mais relacionada com uso continuo de: Corticoides; Fenitoína; Carbamazepina; L-Tiroxina; Varfarina; Antidepressivos; Heparina; Metrotrexate; Furosemida
As Doenças associadas a um maior risco de osteoporose são: Anorexia nervosa; Depressão; Hipertireoidismo; Mieloma múltiplo; Anemia perniciosa; Doença celíaca; Síndrome de Cushing; Doença de Crohn
MAS A CAUSA DA OSTEOPOROSE PODE SER DE ORIGEM RENAL
A mineralização ossea ocorre se existe uma concentração adequada entre os promotores da cristalização e a redução dos inibidores da formação óssea. O osso está em constante remodelação caracterizado pela ativação de osteoclastos seguida de reabsorção e formação óssea pelos osteoblastos assim como de um perfeito balanço entre o calcio, fósforo, 25OHVitD3 e o PTH (hormonio da paratireoide).
A perda excessiva de calcio pela urina denomina-se hipercalciúria e é uma importante causa de Osteoporose, assim como a doença renal crônica que tem como consequencia uma alteração do metabolismo cálcio-fósforo-PTH
A)HIPERCALCIÚRIA OU HIPERCALCIÚRIA + HIPOCITRATÚRIA
A Hipercalciuria idiopática é um distúrbio metabólico, caracterizado pela excreção urinária aumentada de calcio com níveis séricos frequentemente normais, na ausência de outras condições, como as já citadas anteriormente.
Está comumente associada à formação de cálculos renais e como mecanismos patogenéticos podemos citar:
  •  Aumento da absorção intestinal de cálcio
  •  Defeito na reabsorção tubular de calcio
  •  Aumento da reabsorção óssea
A hipercalciúria está associada à doença litiásica de início precoce e com maior recorrência calculosa, manifestando-se principalmente na infância com hematúria. A deposição de cálcio, oxalato ou fosfato nos túbulos renais é denominada Nefrocalcinose (NC) e está associada a condições que causam hipercalcemia, hiperfosfatemia, hipercalcuria, hiperfosfaturia, e/ou hiperoxaluria. A hipocitratúria pode contribuir de forma significativa para a formação de cálculos e consequentemente da osteoporose, por ser o citrato um inibidor natural desta formação.
Podemos ter a NC hipercalciúrica – normocalcêmica, NC hipercalciúrica – hipercalcêmica
1) NC hipercalciuria normocalcêmica:
• Acidose tubular renal distal (ATR-I): é a segunda maior causa de NC. A primeira é o hiperparatireoidismo. • Síndrome de Fanconi. • Síndrome de Bartter
• Sínd. de Cushing • Sínd. de Dent / Nefrolitíase recessiva ligada ao X / Raquitismo hipofosfatêmico ligado ao X / Proteinúria idiopática de baixo peso molecular • Sínd. da Hipomagnesemia familiar • Rim de esponja medular.
2) NC hipercalciuria hipercalcemica
  • Hiperpartireoidismo primário
  • Terapia com Vitamina D
  • Sarcoidose
  • Uso crônico de furosemida
  • Síndrome paraneoplástica
  • Hiperoxalúria primária
  • Doença do depósito de glicogênio tipo Ia
  • Necrose cortical/ síndrome hemolíticourêmica/ rejeição do transplante renal/ glomerulonefrite proliferativa/ Insuficiência renal aguda (IRA)
B) NEFROPATIA CRÔNICA
A doença óssea da nefropatia crônica é denominada Osteodistrofia renal e é caracterizada por alterações bioquímicas do cálcio, fósforo, paratormonio (PTH) e calcitriol, levando a anormalidades ósseas e calcificações de outros tecidos além do tecido ósseo.
A medida que a doença renal avança com perda progressiva da função renal, ocorre uma redução da produção de calcitriol que tem como consequencia, alterações nahomeostasedo cálcio e fósforo, que por sua vez interferem na produção de paratormônio. São esses eventos que levam às alterações do distúrbio mineral e ósseo da doença renal crônica.
Então, após ler essa matéria, que tal marcar um nefrologista para avaliar a causa de sua perda óssea? Não deixe para procurar um médico quando apresentar uma fratura, investigue, pois o diagnóstico precoce fará toda adiferença no desenvolvimento da doença!

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