GOTAS DE NEUROLOGIA – O MAL DE PARKINSON

Nossa cliente Dra. Rita de Cássia Leite, Neurologista com Doutorado em Diagnóstico da Doença de Parkinson e referência em doenças Neurodegenerativas, esclarece uma importante dúvida dos pacientes:

Doutora, essa tremedeira é o mal de Parkinson?

Frequentemente, recebo pacientes em meu consultório com muitas dúvidas sobre alguns sintomas que poderiam indicar o início da doença de Parkinson. Realmente, ela é uma das doenças neurológicas mais comuns, atinge todos os grupos étnicos e classes socioeconômicas. O início da doença costuma acontecer após os 65 anos de idade, mas há casos de início precoce, antes dos 50 anos.

Os sintomas da doença de Parkinson são variados, mas as principais manifestações ocorrem no nosso sistema de movimentos automáticos. A pessoa começa a tremer uma das mãos e os seus movimentos ficam mais lentos. A postura se modifica, a coluna fica mais encurvada e o indivíduo passa a andar devagarinho, perdendo o equilíbrio à toa.

Mas, toda pessoa idosa que treme tem o mal de Parkinson?

A resposta é definitivamente não!

Existem muitas outras causas mais frequentes de tremor. Às vezes nem se trata de doença, mas um exagero do tremor que todos nós temos, chamado tremor fisiológico, que em alguns indivíduos é mais intenso e piora com situações de estresse. Quem já não tremeu “que nem vara verde”?

O tremor que acompanha o envelhecimento de alguns indivíduos é diferente do tremor da doença de Parkinson porque depende da ação – é a tremedeira que aparece quando vai segurar a asa da xícara do cafezinho, por exemplo. Além disso, não há a lentidão de movimentos nem outros sinais da doença. Em caso de dúvida, a melhor conduta é procurar um médico neurologista para realizar uma avaliação e exame neurológico detalhado. Esse profissional tem toda capacidade para diagnosticar a causa dos sintomas e iniciar um tratamento, quando necessário.

            A doença de Parkinson tem cura?

            Essa é uma pergunta muito importante. No imaginário popular a doença é grave e leva à morte em pouco tempo. É preciso mudar um pouco essa situação porque isso não corresponde mais à realidade. Apesar de não se poder falar em “cura”, uma vez que ainda não se descobriu exatamente o que causa a doença, os tratamentos atuais se diversificaram e permitem que a pessoa mantenha suas atividades normais por longo período de tempo. Hoje em dia é comum acompanharmos pacientes com a doença de Parkinson por duas décadas. Então, não se trata de um diagnóstico fatal e nem de doença sem tratamento. Tal como a pressão alta, o diabetes e outras condições crônicas, a doença de Parkinson requer atenção médica, remédios e adoção de hábitos de vida mais saudáveis.

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